quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Música


É interessante como o som da guitarra me incendeia.
Corre com sangue em minha veia.
A alma se purifica!
Não tem nada a ver com o que eu acho.
É música!
Música não se explica e não se julga. Se sente!
Incorpora o ser como se fosse inata.
Poderia até morrer agora...
Já estaria de bom grado.
Música entra na alma.
Não invade, pois você nunca se sentirá invadido com a verdadeira música.
Você irá imergir na sinfonia,
Inebriar-se...
É inevitável!
Assim como é natural a brisa que toca o rosto e você nem percebe,
Assim ela é.
Quando você nota,
Já está mergulhado em suas notas.
Já nasceu com ela tocando dentro do seu coração,
Sentindo seu calor,
Sem nenhuma pretensão.
Ela está além da razão,
Dos sonhos,
Da imaginação,
Da vida,
Da morte,
Do Sul,
Do Norte.
A música vibra,
Mesmo sem nenhuma fibra de matéria;
Mesmo sem o Mundo,
Mesmo sem a pessoa.
Ela nunca destoa.
É como o ar que respiramos.
Difícil definir?
É isso aí!

Fugaz


Amar-te,
Como se amor não existisse antes.
Beijar-te,
Como se o beijo tivesse sido descoberto agora...
Vamos embora,
Porque não demora
Para a última hora
Desfalecer-se em outrora;
E do abraço com ardor
Extrair o derradeiro calor.

É engraçado...


É engraçado. Você insiste em deixar seu cabelo um pouco maltratado, afinal o que seria da vida da cabeleireira (o) se as suas madeixas fossem sempre impecáveis?
Insistimos em levar nossos filhos para aprender na escola, porque lá é o único lugar em que ele poderá se desenvolver adequadamente. A mãe diz: Deus me livre se meu filho não tivesse um professor!
Jogam lixo no chão e dizem: assim o gari não vai ficar desempregado.
Continuamos assistindo filmes ruins, pode ser que seja uma má fase do cinema. Preciso prestigiar os grandes diretores, mentores de uma arte tão nobre...
O meu corpo só ficará saudável com a ajuda de um profissional de educação física, preciso urgente de uma academia!
Vou trocar meu celular novo, pois o meu já está ultrapassado, quase entrando no rol dos “tijolões”... Bem, vou doar o meu velho para quem precisa, assim reciclo e ainda estou praticando uma boa ação.
Então, por que não nos permitimos, por exemplo, ficarmos doentes para darmos aos médicos e enfermeiros o que fazer?
Que parte temos nisto tudo? Quais são os verdadeiros pensamentos que guiam nossas escolhas e, conseqüentemente, nossas vidas? Quais caminhos tomamos a fim de satisfazermos nossos desejos? Pensamos realmente nos outros?
Você não quer morrer para alimentar a indústria funerária, não é?



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Seu João é vegetariano


O pai, João, dá duro de segunda a sexta para ganhar 622. Em casa sua mulher prepara o feijão com arroz: para a família toda! E a carne? Bem, essa estória tem de ser explicada e muito bem calculada.
Um quilo de frango está 10 reais, um quilo de carne vermelha de qualidade mediana está 20. A passagem do ônibus está dois reais e setenta e cinco centavos: se a família der sorte de gastar só duas passagens para ir e voltar do mercado, isso se não for a pé...
Suponha-se que Seu João tenha que ir ao mercado uma vez por semana, porque compra do mês já não dá mais para fazer. Então, ele chega ao mercado com um único pensamento: vou comprar só carne, pois graças a Deus, ganho cesta básica do trabalho que vem com dois quilos de arroz e com dois quilos de feijão.
Bem, se minha família tem quatro pessoas, cada um comendo um pedacinho de carne duas vezes por dia vai somar mais ou menos oito pedaços de carne.
Vamos lá: vamos comer carne vermelha só duas vezes por semana, então vou levar um quilo de alcatra que está 20 reais. Nos outros dias, vamos comer frango: cada quilo está em média 10 reais. Se um quilo dá para comermos em um dia, vou levar seis quilos para seis dias, que vai dar 60 reais. No total, vou gastar 80 reais! Meu Deus! Seu João exclama. 80 reais em uma semana para comer carne, quer dizer, quase sempre frango? Vou gastar então 320 reais por mês só de carne, quer dizer, frango, sabe lá?!
622 menos 320 dão: 302 reais. Caramba! Como vou fazer para pagar tantas outras contas: água, gás, luz? Até me esqueci de somar o preço da passagem de ônibus... Agora estou entendendo porque ouço tanto na televisão de tal coisa de vegetariano... Não é aquela coisa de que a pessoa não come carne?

BBB


Já pararam para pensar em quem nasceu no ano de 2000? Meu Deus! Cada aniversário da pessoa, desde o seu primeiro ano de vida, foi comemorado junto com o BBB. Ui!
O que vcs acham de começar um século assim? A volta do que nunca acaba...
Aonde estão as cabeças pensantes (se é que ainda existem) da Televisão?

canción de lluvias


Lluvia sobre mí,
Lluvia en el día lluvioso
Lluvia hasta que el cielo se vuelve gris,
Lluvia en mi imaginación,
La lluvia es siempre mi inspiración.
(Rainy Song).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Café na Sé

 Onde quer que haja café,
Aqui ou na Praça da Sé;
Meu paladar vai navegar,
Vai se aprumar para um novo dia começar.
Veja! Tem tantas pessoas andando nas ruas!
Como nuas,
Desesperadas por proteção.
Andando andando andando
Sem nenhuma direção.
Vamos gritar daqui da janela!
Quem sabe alguém espera?
Alguém pare,
Alguém olhe,
Alguém observe,
Alguém se vista...
Ou continue nu.
Vamos tomar aquele café
Na Praça da Sé, mesmo sem fé?
Não. Não posso não!
Preciso continuar andando,
Olhando para o chão,
Seguindo a multidão;
Em um vasto Mundo onde não exista inexatidão.
Vamos dançar? Depois tomamos o café.
Não posso parar de marchar!
Vou indo a pé...

As Várias Faces do Ter


Não temos o que fazer,
Temos que fazer o que temos.
Mas que diabos é ter?
Às vezes temos,
Não sabemos que temos,
Nem sequer pensamos no que temos.
Por fim, não temos.
Ou pensamos que não temos.
Mas, o que você faz com o que você tem,
Se é que tem, ou pensa ter?

Brasil Brasileiro


No sofá branco da classe média
É tecido o plano de vida de todas as classes.
Mas, que classe média?
A que arrisca a vida, agora é risco de morte, por 2000 mil reais?
A classe média movimenta a economia, dizem.
O país está rumo ao verdadeiro desenvolvimento!
Que desenvolvimento?
Alguém aí já ouviu falar em passar fome?
Em trabalhar de sol a sol para ganhar 300 paus?
Prazer! Eu sou o verdadeiro Brasil, varonil!
Aonde quem estuda não tem garantia de um futuro melhor.
Aonde ter diploma não significa nada.
Faculdade pública é para rico e particular para pobre.
Onde quem mostra a bunda pode ter mais sorte.
Brasil, tu és lindo!
Um povo heroico, o brado retumbante...
Mas, esse brado somente ecoa.
Teus risonhos lindos campos têm mais flores.
Mas, tua mata cada vez mais desmatada.
Nossos bosques têm mais vida;
Nossa gente, em teu seio, não têm amores.
Salvem-se! Salvem-se!
Paz no futuro?
Que glória tão gloriosa foi no passado?
Verás que um filho teu não foge à luta,
E que luta!
Pátria amada Brasil!
Você já viu na rua o fuzil?

FAVOR COMPARTILHAR, AGORA! PORQUE SOU RICA...


Eis que me aparece uma loira filha da mãe e "filhinha da mamãe" no Recreio, mais precisamente em frente ao restaurante Amadeus, e começa a gritar com o cara do mini-estacionamento: Quem você pensa que é para me dizer aonde tenho que estacionar meu carro?
E outras grosserias mais que não consegui ouvir. Agora me pergunto o que o dito cujo dissera para a formosa do Recreio, para não dizer uma palavra ou palavras que comecem com P.
A gente pode até criar um episódio como o da emissora Toda Poderosa. Nosso episódio será: A filha da P do Recreio (aceito sugestões).
Não preciso queimar minha mufa para ter quase certeza de que o cara simplesmente pediu para a idiota não estacionar em duas vagas, afinal ela tem um só carro. Claro que ele não deve ter usado essas mesmas expressões que eu usei agora neste humilde desabafo.
Com rico, os meros trabalhadores assalariados falam (e ai deles se não falarem!) mansinho. Rico tem sempre a razão. E olha que eu pensava que era freguês...
Não contente, ela "decidiu" acatar a sugestão do carinha e varou com o carro para outra vaga (uma só) quase atropelando o rapaz!
Vai ver ela achara que se atropelasse o pobre trabalhador ele jamais poderia morrer ou sofrer quaisquer danos, afinal, ela é onipotente!
Realmente, ainda vivemos no país do "Você sabe com quem está falando"?
Lastimável um país que, ao que parece, está finalmente evoluindo, ter cidadãos (se é que a nossa loira da história pode ser chamada de cidadã...) que estão involuindo ou que nunca talvez tenham evoluído...

domingo, 16 de dezembro de 2012

Fim do Mundo

Bem, a profecia Maia diz que o mundo acabará daqui a 5 dias. E aí, estão preparados. Essa ladainha toda já é conhecida. Eu e muitas pessoas passamos pelo Bug do Milênio (também diziam que o mundo acabaria em 2000), só para citar um exemplo.
Parece que a corrupção no Brasil está dando seus primeiros passos para acabar. Será? Aí é que deveríamos desconfiar mais ainda do fim do mundo. O mundo sem corrupção não seria este mundo em que vivemos. Pensar nisso é uma ilusão.
5,4,3,2,1... O que você vai fazer até dia 21?
Eu sei o que vou fazer: continuar pensando que meu corpo já não será nem mais pó quando este mundo resolver dar um adeus.

Chove

Olá, pessoal. Por que as pessoas têm sempre que reclamar da chuva? Continuam insistindo que quando chove, o tempo é ruim. Não existe tempo ruim. Tempo é tempo. É simplesmente fenômeno da natureza.
Pasma mais ainda fico quando ouço os meteorologistas cometendo a atrocidade de classificarem o tempo como bom ou ruim.
Aí vai um poema meu sobre a chuva, que aliás, adoro!


Chove lá fora,
Chove dentro de mim,
Chove assim.
Chuva de verão,
Chuva de inverno,
Chuva do coração.
Chuva,
Chuva,
Chove então.
Chove, por Ketilen Paes.

Poema Recente


Armas em punho. Os tiros foram dados, mas não existem balas. O que será que vem desse revólver que estilhaça, mas não é uma bala verdadeira?
Os tiros atingem as pessoas que passam nas ruas, que nadam no mar, que voam no céu, as que estão em casa. Cada pedaço da pólvora entra em cada pedaço de cada corpo e, assim, o envenena.
As pessoas que atiram nem sabem que isso consiste em um tiro. Talvez nem vejam a bala atingindo as pessoas. Não sabem ou não se importam se terá alvo. Essa bala que envenena o corpo é dilacerante, é hipócrita.
Eis que um garoto cai no chão e, com ele, cai tudo que o representa. Ninguém sabe da história dele, ninguém sabe o que ele passou, ninguém sabe os seus motivos, as suas intenções, as suas razões, os seus dilemas. Ninguém sabe nada sobre ele. Mas ele continua caído e ninguém faz nada. Continuam compactuando com as balas, mesmo dizendo que são contra a violência. Continuam caminhando pelas ruas, como se nada tivesse acontecido.
O garoto levanta do chão, prossegue a sua vida. Mas as marcas da bala que não era bala estarão lá, com ele, como um eterno companheiro com o qual tem que se aprender a viver.
As pessoas que o viram deitado no chão continuam caminhando com anteolhos, até que uma bala ricocheteie e as atinjam. Nesse momento, elas perceberão a dor de suas entranhas sendo estilhaçadas. E do garoto deitado no chão, não se lembrarão de mais.
 A Bala, por Ketilen Paes.

Apresentação

Olá, sou Ketilen Paes. Sou escritora amadora, interessada em postar coisas despretensiosamente, como o próprio nome do Blog já diz. Faço poesia desde 2003, mas escrevo de tudo um pouco. Interesso-me por coisas do cotidiano, coisas bobas, coisas inteligentes, coisas "Nonsense"...
Espero contar com a participação de muitos despretensiosos por aqui! Valeu!